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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

PRÓS E CONTRAS DO BIG DATA NA SAÚDE

Um dos grandes desafios no Brasil é a falta de precisão no registros eletrônicos na área da saúde, pois por incrível que pareça, muitas áreas da saúde ainda nem mesmo possuem computadores.
De nada adianta congressos pomposos de Tecnologia onde prometem as mil maravilhas na revolução do compartilhamento de informações quando em nosso país, nem mesmo órgãos publico de segurança são interligados, pois hoje qualquer cidadão pode tirar quantas carteiras de identidade quiser bastando viajar para outro estado. Falha? Eu diria mais um descaso do governo que enche o peito para reclamar que foi espionado quando sua própria segurança interna sempre foi uma bagunça.

Hoje com a disseminação de vários dispositivos móveis e de plataformas baseadas em cloud, podemos ver uma certa agilidade nos serviços assistenciais aumentando cada vez mais o repositório de informações tanto clinicas como administrativas das instituições em geral ou órgãos de saúde pública. Agora vem a pergunta que não quer calar: " Como aproveitar estes dados através do Big Data?" Afinal, saber organizar e aproveitar ao máximo os dados colhidos resulta necessariamente em melhores diagnósticos, tanto individuais como populacionais, e tratamentos.
Em uma palestra, durante a Global Summit 2013, realizado pela InterSystems no ano de 2013, o líder do Mckinsey Global Institute, Michael Chui, mostrou como a ocorrência de epidemias de doenças que segundo ele pode muitas vezes, ser mensurada até por meio de buscas feitas no google. Claro que isto é uma falácia, principalmente tratando de uma fonte que é incapaz de autenticar uma informação e armazenar petabytes de puro lixo em seu mecanismo de busca.
O executivo apresentou cinco passos rumo ao valor, porém alertou para questões que ainda preocupam como a privacidade, segurança e o pertencimento dessas para questões que ainda preocupam como a privacidade, segurança e o pertencimento dessas informações. 

  • Criar transparência; 
  • Expor a variabilidade de informações passíveis de experimentação; 
  • Customizar ações de acordo com o perfil da população; 
  • Suportar decisões humanas com algoritmos automatizados; 
  • Inovar modelos de negócios, produtos e serviços.

Economia 
A gestão "Eficiente" das informações é também vista como uma saída para os custos crescentes do sistema do sistema de saúde, uma tendência comum à maioria dos países. Os EUA, em 2012,
por exemplo, gastou cerca de US$ 750 bilhões sem necessidade, segundo estudo apresentado pelo professor e presidente do Departamento de Informática Médica & Epidemiologia Clínica da Oregon Health & Scince University, William Hersh.

Algumas razões para o desperdício apontadas pelo professor foram: 
  • Serviços desnecessários prestados e entregues de forma ineficiente 
  • Preços altos em relação aos custos; 
  • Excesso de custos administrativos;
  • Oportunidades de prevenção perdidas; e 
  • Ocorrência de fraudes. 
Entraves 
Apesar dos investimentos que  Barack Obama está direcionando à saúde do País para promover a digitalização dos registros médicos (EHR, na sigla em inglês) de todos os cidadãos americanos, Hersh sinalizou que, além da privacidade e confidencialidade mencionada por Chui, há ainda muitas outras barreiras para o uso das informações integradas. 
Alguns exemplos são: alto custo, necessidade de mão de obra técnica, com conhecimento de Business Intelligence (BI), por exemplo, e necessidade de infraestrutura de interoperabilidade. O professor apresentou pesquisas de diferentes entidades como, por exemplo, do English National Health Service (NHS), que demonstram uma série de problemas com a troca de informações de saúde, como: 
  • Documentos imprecisos e incompletos; 
  • Transformados em maneiras que prejudiquem o significado; 
  • Irrecuperáveis para pesquisa; 
  • De proveniência desconhecida; 
  • De granularidade insuficiente (pouco detalhamento); 
  • Incompatível com os protocolos de pesquisa. 
Agora imaginem este mesmo cenário no Brasil, praticamente estes problemas irão se multiplicar por 1000, pois além de documentações imprecisas, ainda temos cidadãos que simplesmente não existem e consultam nos hospitais públicos utilizando documentos de irmãos ou parentes, nem mesmo documentos com fotos são verificados, pois o que é necessário é o numero do documento para poder ser cobrado do SUS. Se fizer um estudo, vamos ver que alguns pacientes são tratados de várias doenças em um curto período de tempo.

Evidente que ao primeiro sinal do Governo solicitando projetos de Big Data voltado para saúde, as figurinhas carimbadas é claro, aquelas empresas que já possuem cadeira cativa no fornecimento de soluções para o Governo, e convidadas trarão projetos miraculosos e muito caros. Será preciso muita seriedade para selecionar ou montar um plano de ação e para isso o Governo Federal deverá estar muito bem assessorado para não cair em armadilhas, pois é comum empresas no Brasil prometerem algo do tipo que "Galinha Voa".

Mas antes do Governo pensar em entrar na onda do Big Data, é preciso arrumar a casa, uma tarefa que já deveria ter sido feita há muito tempo, pois de nada adianta programas para tirar o povo da miséria e fome e deixa-los a própria sorte na saúde.

BIG DATA SE TORNA UM GRANDE ALIADO NA SAÚDE

Ainda atrasadas no emprego de tecnologias de análise de dados, as instituições de saúde começam a se render ao uso dessas ferramentas para apoio a gestão e aos negócios. De acordo com pesquisa da IDC, essas organizações — hospitais, centros médicos, operadoras de planos de saúde, clínicas e laboratórios de medicina diagnóstica, entre outras — cada vez mais estão aderindo às plataformas analíticas para gerenciar desde custos operacionais, dados clínicos, de exames (muitos em laudos em texto), de tratamento, de medicamentos até sinistros de seguros.
Mas o Big Data pode vir a ser uma ferramenta importante e uma aliada de peso para os profissionais da área da saúde. Com sua capacidade de analisar grandes quantidades de dados de pacientes e a partir destas informações tomar decisões e traçar um plano de ação para a melhora de saúde dos pacientes e em contra partida, reduzir os custos de atendimento. A IBM tem investido neste segmento e incentivado muitas startups a desenvolver soluções nesta área. Na Conferência Health 2.0 2013, que ocorreu de 29 a 02 de Outubro em San Francisco, aplicações usando BIG DATA estiveram presentes todos os dias e trouxeram reflexões interessantes. Imagine, que você consiga ver espacialmente todos os pacientes de uma população e posteriormente consiga visualizar somente os pacientes de alto risco.  A partir deste mapa, você passa a identificar onde está localizada espacialmente a população de risco e pode identifcar padrões que auxiliem a tomada de decisão, como a informação que pacientes de alto risco cardiovascular se localizam predominantemente num bairro da cidade de São Paulo e que esta população tem um custo de saúde quatro vezes maior que a média deste grupo. Isto pode levar à seguradora a instalar um programa de gestão de saúde focando especialmente nesta população, que se localiza nesta geografia, podendo modificar sua mensagem ou suas ações para atingir especificamente estes pacientes. 
Uma aplicação interessante mostrada pela IBM é a capacidade de um software auxiliar no diagnóstico de doenças, baseado na maior probabilidade para cada condição, de acordo com os dados clínicos disponíveis no sistema de prontuário eletrônico.  Este sistema nasceu da tecnologia criada para o Sistema de Inteligência Artificial Watson, que venceu o jogoJeopardy e está sendo usado em caráter experimental em diversos hospitais nos Estados Unidos e seu objetivo não é substituir o médico, mas ser um aliado importante no processo de diagnóstico em ambientes críticos.
Outro interessante exemplo, é cruzar dados do seu smartphone, que podem informar à um aplicativo, o quanto você tem se movimentado, qual a distância que você tem percorrido todos os dias, se você tem interagido muito ou pouco com seu smartphone , a fim de determinar se você está com um comportamento atípico para o seu padrão e se isto pode indicar um momento para uma enfermeira ou outro profissional de saúde entrar em contato com você,  a fim de checar se você está precisando de ajuda adicional. Esta solução pode parecer desnecessária, mas para pacientes idosos que moram sozinhos, ter informações capazes de detectar alterações súbitas em seu comportamento, que podem indicar depressão ou a descompensação de alguma doença crônica é extremamente importante.
Tirando proveito da tecnologia, venho trabalhando em um projeto que possibilita a monitoração de pacientes cardíacos. Todos os dados relevantes do paciente são monitorados em modo 24x7, onde os dados referentes a Pressão Arterial, Ritmo Cardíaco, Temperatura, etc..Todos estes dados são transmitidos para Smartphone que armazena e envia para um banco de dados em Cloud. Uma aplicação efetua uma média ponderada destes dados e caso uma delas mostre-se alterada, imediatamente é enviada para uma equipe de médicos previamente credenciada pelo paciente para analise. Caso o paciente sofra alguma anomalia severa na média indicando um evento, o próprio Smartphone envia uma mensagem de alerta para a equipe médica com a localização exata do paciente. 
No Canadá, já existe uma pesquisa em estágio muito avançado onde uma camiseta feita com materiais especiais, monitora todos os sinais vitais da pessoa, enviando estes dados diretamente para um sistema em Cloud onde serão analisados.

Em pouco tempo seremos analisados em real time, scaneados pelo nossos espelho do banheiro quando acordarmos, a escova de destes fará um trabalho além da escovação, fará também uma análise clinica e muito mais. Bem vindos a era do Big Data.